Amei tanto que não soube amar.
Dei meu corpo, minha alma e, junto, os meus sonhos.
Que se foram agora, junto com as palavras.
E a poesia, malvada, acompanhou também.
Foi voando, de carona, nas asas da solidão.
Fugiu, com medo de não mais fazer sentido.
Nem ser capaz de produzir rima.
E ficamos assim, eu e o medo.
Envolvidos no novelo da louca madrugada,
aquela em que os sonhos e a insônia se misturam
numa dança enlouquecida e infeliz.
E, durante o dia, nada existe,
além do compasso de espera,
da solidão da madrugada que
nunca termina.
E como feto aquecido me enrolo
nos lençóis gelados, sem você.
Sem teu sorriso e tua alegria,
sem tua voz de manhã cedo,
ao lado do copo de café quentinho
e três biscoitos, sempre iguais.
E, viciada, percorro o mundo
mesmo que da janela do meu quarto
onde nem vista há mais,
só o movimento de outros alguéns.
Com seus amores, suas histórias,
seus momentos de euforia
e outros de doméstica alegria.
E uso os olhos-telescópios
em busca de formas bizarras de vida noturna
morcegos como eu, amantes da madrugada.
Enquanto minhas mãos se afastam das tuas,
e começam a envelhecer, assim como o sorriso,
que já marca as covinhas do rosto.
Exigindo apuradas técnicas de combate
com seus soldados indo para uma guerra falida.
E no turbilhão da saudade eu penso em ti.
E em como era jovem ao teu lado,
em como o amor transforma a gente.
Traz poesia para vida e alegria para a alma.
E prossigo nesta estrada infinita
tentando ser eu, encontrando você.
E teu rosto no espelho, sem envelhecer.
congelado num passado recente, mas tão distante...
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