É uma doença que se agrega ao organismo
que suga as energias
é uma praga que não vai embora
mesmo que você se ocupe
mesmo que tuas forças se acabem
mesmo que a solidão
destrua cada pedacinho
do seu bom senso.
É uma droga que te abala
que te faz sonhar todos os dias
com blasfêmias impossíveis
que te façam perder o equilíbrio
em cada mentira, em cada pegada
que você deixa no planeta.
É uma tragédia constante
entre o estar bem e o fingimento constante
entre a decisão de cuidar de seu jardim
mesmo que a borboleta esteja distante.
É um rir sem não sorrir
é um chorar sem derramar uma lágrima
é o desistir sem desistir
e prosseguir sem piedade.
O amor é uma constante
entre a vontade e o não ter
em ter construído uma fortaleza
que se quebra com um sonho.
Patético. Isso é o amor.
É uma palavra não dita
um sussurro nunca mais elaborado,
um agradecimento sem destinatário
É o beijo não dado,
é o sorriso fingido
é a dor oculta.
É a distância
que nunca se fez presente
é cada palavra sonhada
e malfadada
ao desespero
é a paz pungente
que nunca chega.
É a voz da incoerência
é a poesia mal escrita
é a declaração não dada
o silêncio da voz que existe
a perfeição daquilo que não quer calar.
É o viver não vivendo
é suspiro imaturo.
É a procissão sem santo
o Deus sem encanto
o ofício sem labuta
a solidão acompanhada
palavras jogadas ao léu
solidão que não ousa dizer o nome
o esquecer sem esquecimento
idade que não cessa de crescer
é a doçura que se vai
o rancor que se acumula
a tristeza que não termina
a voz cortante da razão
que sofre com a sobrepujança
da certeza.
É um dia após o outro
de palavra em palavra
de sonho após sonho.
É uma caverna da qual não se escapa
de um destino que marcou a eternidade
de um nome que marcou sua alma
de um gosto que ficou na boca
mesmo depois de tantas.
É de experiências que passaram
e que deixaram apenas a certeza
de que o amor
nada mais é
do que a certeza da incerteza
da eterna solidão na qual não se acredita
dos sonhos malfadados e intranqüilos
da poesia sem rima e com prosa eterna
da métrica imperfeita e hereditária
daquilo que não foi mesmo tendo sido
dos momentos que passaram
mesmo que cada um deles
tenham deixado uma marca indelével
de uma criatura que sonhava
ser criança eternamente
mas vítima foi do passar dos anos.
Que virou mulher
e não aprendeu
a sorrir de novo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário