quarta-feira, 24 de janeiro de 2007

Geografia

As marcas que o tempo deixaram em seu rosto
lembram cada dia que acolheu seu riso.
Cada manhã em que acordastes e olhastes no espelho
mirando o reflexo daqueles brilhantes olhos azuis,
mareados de pranto solitário,
sonhando com sorridentes pássaros brilhantes,
que se escondem atrás das árvores
e não deixam que meros mortais toquem suas penas.

Nas asas de cada um deles deixei meu pranto,
soluço de mulher apaixonada,
que se perdeu no meio do sorriso,
atordoado e congelado, assim, do nada.
Gargalhada escondida de poeta medíocre,
menina-mulher que não achou seu canto,
mas que sabe, agora, onde mora a razão.

Apaixonada, a garota se perde na música alegre,
da dança ainda não realizada,
da paixão não consumida
e da manhã ensolarada que sucedeu um longo inverno,
uma longa temporada de amores imaturos.

A primavera tem a cor do mar,
é um jardim coberto de flores multicolores,
envergonhadas diante da mais bela delas,
planta tímida que não ousa dizer o nome.

E tive inveja das mesas dos bares,
dos lugares sortudos por onde passastes,
dos rostos ansiosos que já tocastes,
mas que não souberam te fazer ficar.

É a paixão a grande conquista,
que aterra o mar de desesperança,
a falta de poesia e a vida sem nexo,
de fazedor de rimas que não sabe preencher a alma.

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