Confusa é a palavra
não me conheço mais
nem sei quem sou.
Sei que o amor dói, e arde, e queima.
E me embriaga com o aroma da felicidade
uma tortura que não sei se é mais minha.
Que exala um odor de alegria
e me embriaga com as possibilidades.
Quero-te, não devo.
Tenho você, não quero.
Ouso, não sei.
Busco, não sei se encontro.
Você está tão perto
e não sei se posso ter.
Busco cada aroma,
cada expressão de alegria.
Não sei mais sentir,
não sei mais amar.
Você é aquele que tive
sem nunca ter,
é uma tortura suave e inebriante.
É felicidade radiante
imersa num mar de alarmes.
E no controverso dia-a-dia
encontro as respostas no suspiro.
Da ovelha desgarrada
que achou seu dono.
Na palavra não dita,
no murmúrio da vergonha.
No passo errante e mal dado
no arrependimento
de não ser quem sou.
E a caminhada prossegue
a dança se acelera
de te abraçar e não sentir.
De te encontrar sem te buscar.
Na vontade de acordar
sem nunca ter dormido,
de sonhar sem nunca ter acordado.
E a poesia forma-se sozinha.
Errante, tardia, errada.
Nascida nos cachos dos cabelos seus.
Nas pegadas que nunca marcamos.
Nos caminhos que não cruzamos.
Te quero, quero sim.
Mas te repilo.
Ímã enlouquecido, que sozinho reage.
E age, mas não realiza.
Submerso na poesia parnasiana
que se traveste de pós-moderna.
Dizem que o amor é a felicidade.
Quando não engana a ilusão.
Paixão adormecida, talvez.
Mas sempre esperança.
Da dança não cumprida,
da ceia não comida,
da busca incessante
que, como o nome diz,
não acaba.
Mas se reveste de uma aura de luz
como a saia esvoaçante da madrugada.
Quando o sono suportou as horas
e foi vencido pela insônia derradeira.
Da voz que não se cala.
Que ficou um dia encurralada.
De palavras soltas, no horizonte.
És homem, és amargura?
É você o dono da razão?
Ou a voz da insanidade
buscando um resquício de...poesia?
És homem-pássaro,
escondido nas asas da juventude.
Cabelo, unha, extremidade.
Não sei mais quem és.
Não sei mais quem sou.
Sou palavra deslumbrada
pisada estarrecida
tropeço inevitável.
Sou você. Quem és?
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