segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007

Onde estás?

Como é que se ensina alguém
quando nem você confia?
O que dizer, o que sentir,
quando tuas forças se concentram
numa manifestação involuntária dos seus músculos?

Quando seu cérebro nem te reconhece mais?
E seus dedos tocam as teclas
e elas nem te obedecem?
Quando os sorrisos se calam
e as unhas dos seus dedos se mostram,
quando até teus confidentes se calam?

É momento de cessar o sentimento
e seguir adiante
quando os teus olhos, faróis,
nem me perseguem mais...
quando as flores que te adornam
nem me enfeitam mais?

Quando a poesia do seu corpo
em um só momento, se esvai?
Quando seu sangue, traiçoeiro,
poesias mil vai desenhando, vai...
Quando as palavras calam
e me emudecem...
Cadê você? Onde estarás?
Em que continente, em que planeta estás?

Tolas palavras

Palavras não ditas são palavras perdidas,
letras belas e tortas relegadas a milésimo plano,

tortura obscena e triste
porque as sílabas formam belos fonemas
e poemas.
Coloque uma música para tocar,
relaxe o coração, deixe-se levar,
esqueça que lá fora
há tanta vida desperdiçada, desiludida,
tanta dor no caminho
e mesmo assim as palavras ficam engasgadas.

Deixe-as sair, faça-as ganharem vida
e criar prazer do que parecia mera ilusão.
Mas não... não...
as palavras não saem
elas sufocam o peito
e ardem e queimam,
teimosas como capricorniana arrependida.

Não sabem sair
mas também não podem morrer.
E vão levando uma vidinha sem graça,
vidinha vagabunda que merece mais.
Que queria o palco mas manteve-se no bastidor.

Porque não soube decorar as falas
ou não as pode pronunciar.
Socorre esse peito sufocado,
deixe-o respirar, gritar,
deixa a boca executar sua função.

E mais do que um beijo sôfrego
receba essa enxurrada de palavras...
palavrinhas e palavrões.