Palavras não ditas são palavras perdidas,
letras belas e tortas relegadas a milésimo plano,
tortura obscena e triste
porque as sílabas formam belos fonemas
e poemas.
Coloque uma música para tocar,
relaxe o coração, deixe-se levar,
esqueça que lá fora
há tanta vida desperdiçada, desiludida,
tanta dor no caminho
e mesmo assim as palavras ficam engasgadas.
Deixe-as sair, faça-as ganharem vida
e criar prazer do que parecia mera ilusão.
Mas não... não...
as palavras não saem
elas sufocam o peito
e ardem e queimam,
teimosas como capricorniana arrependida.
Não sabem sair
mas também não podem morrer.
E vão levando uma vidinha sem graça,
vidinha vagabunda que merece mais.
Que queria o palco mas manteve-se no bastidor.
Porque não soube decorar as falas
ou não as pode pronunciar.
Socorre esse peito sufocado,
deixe-o respirar, gritar,
deixa a boca executar sua função.
E mais do que um beijo sôfrego
receba essa enxurrada de palavras...
palavrinhas e palavrões.
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